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As atividades que podem ser propostas à turma buscam fazer com que os alunos vivenciem algumas situações mencionadas na aula ou vistas nas fitas. Tanto podem estar relacionadas à observação como à experimentação. Seguindo este modelo, ou adaptando-o à sua forma de trabalhar, o professor deve direcioná-lo para os seguintes objetivos:
  • Apropriação dos conteúdos
  • Construção dos conceitos
  • Mudanças de atitudes
  • Práticas de cidadania
Observação
Parte das atividades, que têm a observação como método, já foi feita antes da exibição da fita. Cabe ao professor, agora, organizar as tarefas complementares, de maneira que possa avaliar o desempenho da turma.

Com as turmas que fizeram o levantamento de produtos nos supermercados, podemos propor a organização de um fichário, como se fosse um banco de dados, em que cada produto terá sua ficha e nela serão anotadas todas as informações sobre ele: de onde vem, para que serve, como é extraído, se pode ser substituído por outro, a data e quem coletou a informação.

Com as turmas que fizeram a pesquisa em casa, também pode ser sugerida a formação de um banco de dados, acrescentando-se, porém, dados que mostrem atividades econômicas da região que dependem da mata. No município de Rio Claro, estado do Rio de Janeiro, algumas famílias ainda sobrevivem graças à queima de madeira para fazer carvão. Esse carvão é vendido nas vilas da região. No município de Itamonte, Minas Gerais, muitas pessoas trabalham nos criadouros de trutas. Esses peixes só sobrevivem em águas muito frias e cristalinas e a grandes altitudes. A mata é imprescindível para que esse ambiente se mantenha estável.

Experimentação
Depois de organizado o banco de dados com as fichas dos produtos, o professor pode propor uma atividade de experimentação, que complementa a proposta de sensibilização iniciada antes da exibição da fita.

A partir de uma certa data e hora, a turma deve ficar 24 horas sem usar todos os produtos do cotidiano que tenham qualquer ligação com a mata.

No final, cada aluno deve entregar um relato da experiência e enumerar possíveis alternativas encontradas para contornar a ausência do produto.

Botando a mão na massa
Na temática uso da mata, além dos conteúdos curriculares ciclos econômicos, industrialização e atividades econômicas regionais, o professor tem a oportunidade de trabalhar a construção dos conceitos de auto-sustentação, dependência econômica e energia alternativa.

E ainda, motivar a classe e a comunidade em torno da escola - principalmente os familiares para a necessidade de repensar as formas de exploração dos produtos que saem diretamente da floresta, buscando alternativas nos processos de fabricação ou no próprio plantio.

Uma proposta de trabalho
O professor pode propor que os alunos montem uma coleção de mudas de ervas medicinais, criando a semente de uma Farmácia Fitoterápica que poderá se tornar uma fonte de produtos de primeiros-socorros na escola e de apoio para a própria comunidade.

Este projeto depende de uma boa pesquisa em livros e com as pessoas mais idosas, que conhecem bem o uso de chás e mesinhas. Mas também podem ser acionados os centros de pesquisa das universidades, por carta ou internet.

O Instituto de Biociências da USP, por exemplo, há muitos anos pesquisa os efeitos das ervas e pode ter muitas informações para os alunos. As mudas podem ser obtidas em sítios, quintais, hortos florestais e até nas feiras livres. A seguir, damos um modelo de projeto e exemplos práticos.

Etapas do projeto
1. Pesquisa de acervo
Os alunos pesquisam as ervas que serão plantadas, fazendo entrevistas com familiares, vizinhos, feirantes e indo à biblioteca pública para consultar manuais de medicina popular. Se na sua cidade há uma boa farmácia de produtos naturais, os funcionários podem ajudar a listar as ervas que podem ser plantadas.

2. Catálogo de remédios
Todo o material pesquisado deve ser reunido e os alunos se organizam em grupos para montar um fichário com o nome das plantas e todos os dados obtidos: nomes populares, nome científico, como e quando plantar, como usar e seus efeitos medicinais.

3. Planejamento de cultivo
Enquanto o trabalho da catalogação vai sendo feito, a turma pode ir negociando o local para instalar o viveiro de mudas. Esse espaço pode ser na própria escola ou em um terreno cedido pela comunidade. Definido o local, a turma deve providenciar a infraestrutura necessária: regadores ou mangueiras plásticas, terra própria para cultivo, pá, garfo e demais utensílios de jardinagem. Lembre-se de que todos esses equipamentos podem ser comprados ou criados a partir do que já se tem na escola. A partir da definição do espaço e do equipamento que se pode ter, já é possível dimensionar o tamanho da plantação e escolher, então, o que se quer plantar.

4. Planejamento de armazenagem
Boa parte das ervas pode e deve ser usada logo depois de colhida. Mas, nem sempre isso é possível. Além disso, algumas plantas são sazonais - não crescem o ano todo. Por isso, os alunos devem planejar como vão conservar as plantas colhidas, formando um estoque.

Para essa atividade, eles precisam novamente consultar o catálogo e ter um ambiente fechado, onde possam guardar saquinhos de papel e recipientes de vidro escuro ao abrigo do calor e da luz.

As plantas devem ser colhidas sempre ao amanhecer, antes do sol estar alto, mas já secas do orvalho. E devem secar viradas para baixo, penduradas por cordões de algodão pelo talo ou pelas raízes.

Depois de secas, são maceradas levemente e guardadas em vidros de conservas, bem limpos e secos, com etiquetas contendo o nome da planta e a data de embalagem.

Com turmas de 8ª série é possível avançar nos processos de armazenagem, organizando uma aula de produção de tinturas - os concentrados feitos a partir de plantas frescas, que são usados em gotas.

O professor pode convidar um farmacêutico da região para mostrar como se faz tintura. Ou um artista local que utilize pigmentos naturais em suas pinturas.

5. Organização do uso
Plantar, colher, armazenar e até preparar tinturas podem ser momentos muito ricos neste projeto. Mas para que o trabalho tenha continuidade é necessário que a escola assuma o projeto, fazendo uso da farmácia e indicando seu uso.

Isso pode ser conseguido com pequenos anúncios nas farmácias homeopáticas e lojas de produtos naturais e divulgando entre os familiares dos próprios alunos.

Mas a escola, não sendo um ponto de comércio, terá que encontrar voluntários - pais e mães com tempo disponível, alunos mais velhos - para tomar conta da farmácia. Mesmo não sendo movido pelo desejo de lucro, o projeto pode ser uma fonte de fundos extras, pelo menos para cobrir os gastos com a própria horta de ervas.

6. Gerenciamento financeiro
A participação dos professores de Matemática pode trazer grandes contribuições ao projeto, pois com eles os alunos podem desenvolver as atividades de venda de chás, cálculos de custo, aplicação e investimentos, estudo de embalagens mais econômicas, enfim, tudo que diga respeito ao gerenciamento financeiro do projeto.

Avaliando
Todas as etapas desta atividade devem ser bem planejadas do ponto de vista dos custos e viabilidades. O local onde as mudas serão cultivadas e as ervas guardadas deve ser bem estudado, para que não seja alvo de atos de vandalismo. Como em todos os projetos, este também deve ter seu diário/memorial. O ideal é que cada grupo tenha o seu, pois isto facilitará a avaliação, não só da produção final, mas também de todo o processo. O envolvimento do aluno, sua participação e mesmo a do professor podem ser discutidos em vários momentos, servindo para a reformulação do que não for satisfatório.

Professor
Não deixe de registrar o andamento de cada projeto no diário e selecionar as produções dos alunos. Cada escola deve decidir se enviará apenas um relatório ou um de cada turma, junto com as fichas de avaliação.

Telefones úteis
Instituto de Biociências da USP
Tel.: (11) 818-7515
Fax: (11) 818-7416
ib@edu.usp.br
www.ib.usp.br

Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2511-0401

Carpoteca e Herbário
Tel.: (21) 2511-2588

Laboratório de sementes
Tel.: (21) 2294-8696

Centro de Controle de Intoxicações do Espírito Santo
Tel.: (27) 227-1666 / 324-1566

Serviço de Toxicologia de Minas Gerais
Tel.: (31) 239-9308 / 9223 / 9224

Centro de Epidemiologia do Paraná
Tel.: (41) 224-0928 / 223-2917