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As atividades que podem ser propostas à turma, na temática FLORA, buscam permitir que os alunos conheçam mais de perto as espécies vegetais do meio em que vivem e como elas se desenvolvem.

Tanto podem estar relacionadas à observação como à experimentação. Seguindo este modelo, ou adaptando-o à sua forma de trabalhar, o professor deve direcioná-lo para os seguintes objetivos:
  • Apropriação dos conteúdos
  • Construção dos conceitos
  • Mudanças de atitudes
  • Práticas de cidadania
Observação
Numa excursão, buscar nos arredores da escola ou em uma pequena formação florestal próxima, amostras de folhas. É importante orientar os alunos que recolham apenas folhas adultas, as partes mais baixas da planta, procurando não agredir o meio e dando preferência a folhas caídas no solo. A cada folha colhida - uma para cada tipo de vegetal - os alunos devem identificá-la com o nome científico e o nome vulgar, fazer um esboço da planta inteira e assinalar se ela tem flores, frutos, sua altura estimada, se cresce na sombra ou no sol, perto ou longe da água, na terra arenosa ou em meio a pedras, se há espinhos, raízes aéreas, enfim, todos os dados que considerar importantes.

As folhas podem ser coladas em uma cartolina ao lado dos esboços, deixando ainda espaço para os dados coletados no local ou na biblioteca.

Se essa atividade for organizada em grupos, a coleção poderá crescer e - bem cuidada - vir a fazer parte do acervo de material didático da escola.

Experimentação
Testar a capacidade de adaptação das espécies pode ser uma atividade simples, em que os alunos vivenciam o papel de pesquisadores científicos como se estivessem em um laboratório. Exemplo de exercício que pode ser proposto:

- Numa bandeja rasa, forrada de algodão, colocar feijões, cobrir com um tecido leve e guardar por três dias em local escuro. No quarto dia, separar metade dos feijões brotados. Deixar metade no escuro e a outra levar para a luz. O algodão deve ser mantido úmido. Depois de sete dias, analisar o que aconteceu.

Esse tipo de tarefa pode crescer em complexidade dependendo da série e o interesse da turma. E é muito importante a partiçipação dos professores de Ciências.

Botando a mão na massa
Na temática flora, além dos conteúdos curriculares vegetação, tipos de florestas e ecossistemas, o professor tem oportunidade de trabalhar a construção dos conceitos de biodiversidade, interação, fitoterapia e patrimônio genético.

E, ainda, buscar sensibilizar as pessoas envolvidas, visando a um reexame de suas atitudes e práticas sociais, levando à noção da nossa dependência em relação ao meio ambiente, não só neste momento, mas também no futuro, da importância da legislação que protege as áreas verdes e do papel de cada um na preservação da biodiversidade.

Uma proposta de trabalho
O professor pode propor que os alunos se organizem em grupos e elaborem um Projeto comparativo de terrário, ou seja, planejem etapa por etapa a criação, implantação e acompanhamento de um conjunto de dois, três ou até quatro terrários, com variações nas espécies plantadas e comparem os resultados. A seguir, damos um modelo de projeto e exemplos práticos.

Etapas do projeto
1. Escolha das espécies a serem cultivadas
Com base na flora local, os alunos se dividem em grupos e cada grupo organiza o acervo do seu terrário. É importante que pelo menos um dos grupos opte por cultivar apenas uma espécie.

2. Pesquisa de apoio
A partir das escolhas, os grupos pesquisam na biblioteca e entidades ambientais dados sobre as espécies.

3. Divisão de tarefas
Com os dados em mãos, os grupos se organizam internamente, distribuindo as tarefas:
  • descobrir como se faz um terrário
  • obter o material necessário
  • obter as sementes e as mudas
  • fazer o plantio
  • rodízio das observações
  • redação do relatório final.
Exemplo
Numa turma podemos organizar 4 grupos. Um deles trabalhará com um terrário eclético, em que foram colocadas sementes ou mudas de vários tipos de plantas: rasteiras, trepadeiras, arbustivas e de plantas que dêem flores. Em outro, predominam as flores. No terceiro, os arbustos e, por fim, um só com gramíneas.

Em fichas de cartolina, os alunos registram o número do terrário e o nome de cada espécie. Cada semente ou muda deve ser identificada com uma estaca e uma etiqueta com o número correspondendo ao nome que está na ficha. Ou com etiquetas do lado de fora do garrafão. Todos os dias, no mesmo horário, os alunos observam o que aconteceu com cada espécie e anotam nas fichas. A experiência com o terrário pode crescer para um projeto mais amplo, com a produção de vários experimentos desse tipo e utilizando também plantas ornamentais.

Os terrários ornamentais fazem muito sucesso nas exposições da escola, nas feiras de ciências e nos bazares e são um canal importante de sensibilização da comunidade escolar para a necessidade de preservação das matas.

Receita básica do terrário
O terrário é um ecossistema engarrafado, que permite observarmos o ciclo da vida. Essa idéia foi desenvolvida por acaso pelo botânico amador Daniel Ward, quando observava uma crisálida de borboleta dentro de uma garrafa. A terra da garrafa tinha uma raiz de samambaia misturada e ela brotou e cresceu. Ele testou outras plantas e concluiu que, com um pouco de luz e umidade, os vegetais poderiam viver por anos num ambiente lacrado.

Parece uma coisa simples mas, graças ao terrário, mudas das mais variadas plantas puderam atravessar os oceanos sem sofrerem danos.

Material:
Um aquário ou garrafão transparente, bem lavado
Um canudo de papelão, na forma de funil
Pedrinhas, areia e terra vegetal
Fita adesiva
Sementes e mudinhas
Borrifador de água

Montagem:
Lavar bem o garrafão e, pelo funil, colocar lá dentro uma camada de pedrinhas, uma de areia e outra de terra (cada camada com 2,5cm). Com um arame retorcido na ponta em forma de laço, plante a mudinha na terra ou semeie. Pulverize a água e lacre a boca do garrafão com a fita adesiva. Neste caso, a vida do terrário terá um tempo determinado e a análise desse item deverá fazer parte da observação. Para que o terrário tenha vida mais longa é preciso manter uma entrada de ar, mesmo que bem reduzida. Manter o terrário à sombra.

Avaliando
Todas as etapas desta atividade devem ser bem planejadas, do ponto de vista dos custos e viabilidades. O local onde os terrários serão colocados deve ser bem avaliado, para que não seja alvo de atos de vandalismo. Como em todos os projetos, este também deve ter seu diário/memorial. O ideal é que cada grupo tenha o seu, pois isto facilitará a avaliação, não só do relatório final, mas também de todo o processo. O envolvimento do aluno, sua participação e mesmo a do professor podem ser discutidos em vários momentos, servindo para a reformulação do que não for satisfatório.