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Apesar da tristeza causada por notícias como o desaparecimento da ararinha-azul e suas fracassadas tentativas de reprodução em cativeiro, nem tudo está perdido. Existe uma série de projetos de proteção à fauna que estão servindo de exemplo e chamando a nossa atenção para o que podemos fazer para salvar esse patrimônio natural.

Há cerca de 290 unidades de conservação na Mata Atlântica, que cobrem aproximadamente 2 milhões de hectares. As mais conhecidas são os Parques Nacionais de Itatiaia, da Tijuca e da Serra dos Órgãos (RJ), Bocaina e Serra do Mar (SP), Superagüi (PR), Caparaó (MG/ES) e Chapada Diamantina (BA); Parque Estadual de IIha Grande (RJ), Estação Ecológica Juréia-Itains (SP), Parque Nacional Marinho de Abrolhos (BA), Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas (RN), Reserva Biológica de Poço das Antas (RJ), Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha (PE).

Algumas espécies ameaçadas são alvo do trabalho de instituições que se dedicam a criar condições de reprodução, reintrodução na mata e, assim, promover o repovoamento. Muitas dessas unidades oferecem programas de educação ambiental. E algumas façanhas já foram registradas: o mono-carvoeiro mantido em cativeiro no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, em Magri, teve seu primeiro filhote em 1991.

Projeto Mico-leão-dourado
Começou em 1983, na Reserva de Poço das Antas, em Silva Jardim (RJ), e tem como parceiros: Zoológico Nacional de Washington (EUA), IBAMA, CPRJ, Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Eram 280 animais e hoje há cerca de 400 vivendo na reserva e mais 169 nas fazendas vizinhas. Além das pesquisas diretas com o mico-leão, o projeto recupera as áreas degradadas da floresta.

Projeto Tamar
Iniciado em 1980, atua hoje em mil quilômetros de praias e ilhas oceânicas. São 23 bases que servem como pontos de desova e alimentação das tartarugas. Seu alvo: as cinco espécies de tartarugas marinhas existentes no Brasil. Graças ao Tamar, a população de tartarugas fêmeas dobrou, pois podem desovar nas praias, sem que as ninhadas sejam destruídas. A cada temporada, uma tartaruga faz quatro ou cinco desovas, com cerca de 80 ovos em cada uma. Durante a desova, os pesquisadores podem se aproximar das tartarugas e, além de medi-las, examiná-las e fotografá-las, colocam um brinco de aço inoxidável em cada uma para mapear suas andanças pelo Atlântico. Já foi encontrada uma tartaruga com o brinco nas costas da ilha da Madeira. Ela havia estado no litoral do Espírito Santo. O Projeto Tamar mantém atividades de educação ambiental com as comunidades litorâneas e os visitantes. Antigos pescadores de tartarugas são hoje seus protetores e toda a comunidade acabou se envolvendo num projeto de marketing social: confeccionam artesanato, camisetas e outros produtos, todos relacionados com a preservação das tartarugas marinhas.

Projeto Cemave
O Centro de Pesquisas para Conservação das Aves Silvestres começou em 1977 e adota a técnica de anilhamento para conhecer a população de aves. É o único em toda a América Latina que tem por finalidade a coordenação do Sistema Nacional de Anilhamento de Aves Silvestres. No seu banco de dados há mais de 350 mil registros de aves anilhadas e 96 projetos de pesquisa. O centro oferece cursos e estágios a profissionais dessa área.

Casamento das Borboletas
No Museu Nacional do Rio de Janeiro, o pesquisador Luiz Soledade Otero induz, com sucesso, o cruzamento das borboletas Parides ascanius - endêmicas das restingas alagadas do litoral carioca e que já podem ser encontradas em locais de onde haviam desaparecido, como o Bosque da Barra, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ).

Salvamento
No Rio Grande do Sul, a Fundação Universidade do Rio Grande montou o Centro de Recuperação de Animais Marinhos do Museu Oceanográfico, que socorre leões, lobos marinhos, pingüins, albatrozes que são encontrados impregnados pelo petróleo jogado dos navios. O centro também socorre animais agredidos pelo homem por tiros ou pauladas.