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Os remanescentes da Mata Atlântica têm sofrido rápida degradação devido às pressões resultantes de atividades agropecuárias, de mineração e de especulação imobiliárias, entre outras. Essa relação predatória também ameaça o rico patrimônio histórico e diversas comunidades tradicionais, que constituem parte da identidade cultural do país. Este patrimônio étnico e cultural da região, ou seja, as comunidades indígenas, caiçaras e roceiras retiravam da mata os recursos básicos para sua vida, sem provocar grandes devastações.

Tal riqueza é composta de conhecimentos sobre a floresta e seus ciclos,o valor de suas madeiras, fibras, folhas e frutos, a variedade de suas plantas medicinais e um conjunto excepcional de ritos,mitos e manifestações artísticas.

Uma boa lição

As populações locais têm uma relação profunda com o ambiente em que vivem porque dependem exclusivamente dele. Seu modo de vida define-se por seu trabalho autônomo, por sua relação com a natureza e pelos conhecimentos que ainda conservam herdados de seus antepassados. Mas, como nenhuma delas tem apenas uma fonte de sobrevivência, ao diversificar o uso que fazem dos recursos disponíveis, tornam-se conservacionistas por vocação. E é justamente nessa prática - que se baseia em um calendário de uso para os recursos, fazendo com que não sejam explorados com a mesma intensidade, ao mesmo tempo - que devem se inspirar os projetos de conservação da Mata Atlântica.