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Ritmo é a forma pela qual as diferentes durações dos sons e pausas (mais breves ou mais longas) se distribuem no tempo. Podemos criar combinações rítmicas variadas, simples ou de extrema complexidade.

Quando cantamos uma canção, podemos perceber que algumas sílabas duram mais tempo que outras. Também fazemos pausas, isto é, silêncios de diferentes durações.

As durações das notas e das pausas são representadas pelos valores rítmicos ou figuras: da semibreve (de maior duração - tomada como unidade nesta divisão proporcional dos valores) à semifusa (menor duração).

Semibreves:


Mínima:


Semínima:


Colcheia:


Semicolcheia:


Vamos imaginar que estes retângulos correspondem a durações em minutos e segundos. Analise a divisão proporcional destes valores: se o retângulo maior valer 1 minuto, isto significa que a semibreve que está dentro dele soará durante 1 minuto. Portanto, a mínima, que vale a metade da semibreve, irá durar 30 segundos. Continuando a relação de metade-dobro: cada semínima deverá soar 15 segundos; cada colcheia 7 segundos e meio; cada semicolcheia 3,75 segundos.

Com estas figuras (valores), e as relações estabelecidas entre elas, escrevemos o ritmo de qualquer música.

Pulso
Pegue o seu pulso e sinta as pulsações. Elas mantêm uma constância e uma regularidade. Em música acontece o mesmo. As combinações rítmicas (células rítmicas) de uma música têm sempre como referência, explícita ou implícita, uma pulsação rítmica constante e regular. Esta sucessão de pulsações regulares são os tempos.

Compasso - métrica
Esta série de pulsações, isto é, de tempos de mesma duração, podem ser agrupados dois a dois, três a três, quatro a quatro. Estes são os agrupamentos mais comuns na música ocidental seja popular, folclórica, ou na chamada música clássica. Entretanto, em outras culturas, como nas músicas tradicionais do Oriente e da África, são comuns outros agrupamentos. Estes agrupamentos de tempos são o que chamamos de compassos. O primeiro tempo é sempre um pouco mais forte. Em música dizemos, mais acentuado. Estes acentos são um fator importantíssimo e essencialmente musical.

Em uma música, quando os compassos são agrupados de dois em dois tempos, dizemos que a música está no compasso Binário. De três em três, Ternário. De quatro em quatro, Quaternário.
Por exemplo: marcha, baião, tango e samba são binários. A maior parte das cantigas de roda também.

Representação dos Compassos
Logo no início da música, na primeira pauta, encontramos dois números sobrepostos. O de cima indica quantos tempos teremos em cada compasso. O de baixo indica qual a figura, o valor rítmico adotado que vale um tempo, isto é, qual dos valores ou figuras valerá um tempo naquela música. A isto chamamos unidade de tempo. Tendo a unidade de tempo, podemos deduzir a unidade de compasso, isto é, qual a figura que, sozinha, demorará (soará) durante todos os tempos do compasso.

Anteriormente, vimos os valores absolutos das figuras, agora veremos seu valor relativo: a quantidade de tempos ou de parte de tempos que lhe caberá em cada música.

Por exemplo:
2 indica um compasso binário, dois tempos em cada compasso.
2 indica que a mínima vale um tempo. Portanto, a mínima é a unidade de tempo e a semibreve , valendo dois tempos, será a unidade de compasso.
Este compasso também pode ser representado por este símbolo
4 indica um compasso quaternário, quatro tempos em cada compasso.
4 indica que a semínima vale um tempo. Sendo a semínima, a unidade de tempo.
Portanto, a semibreve valerá quatro tempos e será a unidade de compasso.
Este compasso também pode ser representado por este símbolo:
3 indica um compasso ternário, três tempos em cada compasso.
4 indica que a semínima vale um tempo. Logo, a semínima é a unidade de tempo e a mínima pontuada valerá três tempos, sendo a unidade de compasso.

Prosódia
Os acentos no tempo forte são um fator importantíssimo e essencialmente musical.
Se você observar, a sílaba do tempo forte é a sílaba tônica da palavra. Esta é uma das regras da prosódia. A prosódia nos ensina como ajustar as palavras à melodia da música e vice-versa. O encadeamento e a sucessão das sílabas fortes e fracas devem coincidir respectivamente com os tempos fortes e fracos dos compassos da melodia.

Divisão dos Compassos e Subdivisão dos Tempos
Numa música cada pulsação, ou tempo, tem exatamente a mesma duração. Se num tempo temos mais de uma nota, a duração deste tempo terá que ser subdividida entre estas notas. Também podemos ter notas que duram mais de um tempo ou mesmo que duram uma quantidade de tempos que supera a quantidade de tempos do compasso. Para aumentar o valor de uma nota usamos:
  • Ponto de Aumento - um pontinho colocado à direita da nota e que vale exatamente a metade do valor da nota.
  • Ligadura - uma linha curva que liga duas notas seguidas na mesma altura, ou seja, duas notas que têm o mesmo som e, portanto, ficam no mesmo lugar na pauta. Neste caso, somente a primeira é emitida respeitando-se o seu valor rítmico e prolongando-se o seu som durante o tempo do valor rítmico seguinte. Desta forma, a nota deve soar pela duração dos valores somados.
Deslocando as acentuações naturais
Muitas vezes nas músicas temos um efeito de deslocamento da acentuação natural, ou seja, o tempo forte, primeiro tempo, é preenchido por pausa (silêncio) ou então temos um prolongamento do som anterior. Convém lembrar que todo tempo tem uma parte forte e outra fraca. A parte forte de um tempo é exatamente o momento em que a marcação do tempo é feita. O resto da duração do tempo constitui a parte fraca. Portanto, este deslocamento pode ser feito em qualquer um dos tempos do compasso.
  • Síncope - quando uma nota é executada em tempo fraco ou parte fraca de tempo e se prolonga ao tempo forte ou parte forte do tempo seguinte. A síncope é regular quando as notas que a formam têm a mesma duração. É chamada de irregular quando suas notas têm durações diferentes.
  • Contratempo - quando a nota soa em tempo fraco, ou parte fraca de tempo, sendo antecedida, isto é, tendo no tempo forte ou na parte forte do tempo, uma pausa.
Tanto a síncope quanto o contratempo produzem um efeito de deslocamento das acentuações naturais. São muito utilizadas na nossa música. O segredo do samba, este ritmo tão brasileiro, está nas síncopes, tanto que dizemos que o samba é um ritmo sincopado. A Bossa Nova também faz uso de síncopes e contratempos; é o que lhe dá aquele balanço de uma... nova bossa!

Andamento
Ouça os batimentos do seu coração. Uma célula rítmica se repete de forma constante e regular. Entretanto se você correr durante 10 minutos, o seu coração vai, como costumamos dizer, acelerar. A célula rítmica é a mesma, seus batimentos não mudaram. O que mudou foi a velocidade.

Em música acontece a mesma coisa. Chamamos isso de Andamento. Andamento é o que vai determinar a velocidade do pulso, dos tempos. Algumas vezes, dois intérpretes gravam a mesma música e um canta um pouco mais lento e o outro, um pouco mais rápido.

Assim, o ritmo e o andamento são os componentes básicos da marcação.

No princípio do século XVIII os compositores eruditos italianos resolveram dar nomes aos principais andamentos:
  • Largo, Larghetto, Adágio - Andamentos mais lentos (também podemos encontrar Grave e Lento)
  • Andante, Andantino, Moderato, Alegretto - Andamentos médios
  • Allegro, Vivace, Vivo, Presto e Prestíssimo - Andamentos mais rápidos
Para determinar com total precisão a duração exata dos tempos, existe um aparelho - o metrônomo - inventado por Loulié em 1710. O metrônomo regula e marca os andamentos musicais. Funciona através de um sistema mecânico e por movimentos oscilantes de um pêndulo fixo com um peso, que pode ser deslocado (abaixado ou levantado, acelerando ou retardando o andamento). Quanto mais próximo da base o peso estiver, mais rápido serão os movimentos do pêndulo e, portanto corresponderá a andamentos mais rápidos. Quanto mais longe da base, mais lentos serão os andamentos. Cada batida corresponde à duração de um tempo.

Veja quantas batidas ou tempos os andamentos mais comuns têm por minuto no metrônomo.

Andamento número de batidas por minuto
Largo40 a 60
Larghetto60 a 66
Adágio66 a 76
Andante76 a 108
Moderato108 a 120
Allegro120 a 168
Presto168 a 208

Alterando o andamento
Às vezes, no decorrer de uma música, o andamento pode ser alterado em algum trecho para dar mais expressão. Estes trechos são sinalizados. Vejamos os mais comuns e que são os que Tom Jobim utiliza em suas partituras.

Acelerando (accel . --) - indica que devemos apressar o andamento.
Ritardando (ritard.--), Ralentando (rall.--) - indica que devemos diminuir o andamento.
Rubato - indica que o trecho pode ser executado com uma certa liberdade no valor das figuras, entretanto isto não deve alterar a divisão dos compassos, ou seja, a acentuação dos tempos fortes (primeiro tempo).
Fermata - colocada acima ou abaixo de uma nota, indica que esta deve se prolongar mais tempo que o seu valor estabelecido, variando de acordo com a vontade do intérprete.